Dra. Isabel, poderia falar um pouco sobre seu caminho profissional?
Minha paixão por argumentar e buscar justiça vem desde a infância, e me guiou por toda a minha carreira na advocacia. Comecei minha jornada em 2007, estagiando no Juizado Especial para ações do Direito do Consumidor, o que me deu uma base sólida para entender e defender os direitos dos cidadãos.
Com mais de 11 anos de experiência em Direito do Trabalho, atuo de forma estratégica e eficiente para solucionar conflitos. Minha atuação se estende a questões consumeristas complexas, especialmente em casos que envolvem planos de saúde e SUS, graças à minha especialização em Direito da Saúde.
Minha formação combina sólida base jurídica com uma visão humana e empática do seres humanos, atuo com comprometimento e respeito, fruto também da minha própria experiência como paciente oncológica.
Para além da prática do Direito, qual é a missão fundamental que impulsiona o seu trabalho no setor da saúde?
Desde o início da minha carreira, sempre estive ao lado das pessoas em situações mais vulneráveis — consumidores, trabalhadores e, agora, pacientes. No Direito da Saúde, minha missão é garantir justiça para quem mais precisa: pacientes que dependem do SUS, que necessitam de medicamentos caros ou ainda não incorporados pela ANS, e que muitas vezes enfrentam negativas injustas de planos de saúde. Trabalho para que essas pessoas tenham acesso aos tratamentos e direitos que lhes são devidos.
Se um potencial cliente pudesse lembrar de apenas três palavras para descrever a sua atuação, quais seriam e por quê?
Estratégia, comprometimento e respeito.
O respeito é essencial porque lido com dores reais — a saúde é o bem mais valioso que alguém possui. Tenho consciência da angústia dos meus clientes e me empenho ao máximo para garantir que recebam o que precisam.
A estratégia também é indispensável: é ela que permite enfrentar grandes planos de saúde, a União e o próprio SUS, sempre com inteligência e preparo técnico. E o comprometimento resume a minha entrega — cada caso é uma causa pessoal.
Como você descreveria o seu cliente ideal? Quais são suas principais preocupações e medos?
Meu cliente é, geralmente, alguém que teve um tratamento ou cirurgia negada pelo plano de saúde. Muitas vezes, ele se sente impotente, sem saber se fez algo errado, se deixou de pagar algo, ou se o cancelamento foi culpa dele.
Essas pessoas vivem um momento de desespero, dormem angustiadas sem saber se terão acesso ao tratamento necessário ou se conseguirão garantir cuidado à própria saúde ou de um familiar. É uma sensação de vulnerabilidade muito grande — e é nesse momento que eu entro para ajudar.
Como começa a jornada desse cliente até chegar a você?
Geralmente, tudo começa com uma negativa: o plano de saúde recusa uma internação, um medicamento, ou o SUS não dá retorno sobre uma cirurgia há meses. O cliente começa a procurar alguém ágil, disponível e com autoridade técnica — alguém que saiba agir rápido e com segurança.
Muitos chegam até mim após tentarem resolver sozinhos, sem sucesso, e buscam alguém que os escute, compreenda e resolva com eficiência.
Quais são suas principais áreas de atuação dentro do Direito da Saúde?
Atuo em casos de cancelamento indevido de plano de saúde — algo muito comum, especialmente quando o cliente mais precisa do serviço. Também atuo em demandas por cirurgias reparadoras negadas sob a justificativa de serem estéticas, quando na verdade têm caráter funcional, como as cirurgias pós-bariátricas.
Outro foco são os medicamentos: luto para garantir o acesso a tratamentos caros ou ainda não incluídos nas listas da ANS e do SUS, especialmente quando já há comprovação científica da eficácia.
Além disso, trabalho com revisões contratuais de planos e com pedidos de home care, quando o tratamento pode — e deve — ser feito em casa, garantindo dignidade e qualidade de vida ao paciente.
E como funciona o seu processo de trabalho?
Cada caso exige uma análise minuciosa. Costumo começar reunindo toda a documentação médica e científica — artigos, relatórios, prescrições. Entro em contato direto com o médico do paciente para entender o histórico, os tratamentos tentados e a importância da terapia solicitada.
O diferencial do meu trabalho é o envolvimento humano. Eu realmente mergulho na vida do cliente, compreendo suas dores e necessidades e traduzo isso em argumentos técnicos para o juiz, aliando Direito e Medicina com profundidade.
Fale um pouco sobre sua formação e trajetória profissional.
Sou formada em Direito pela Universidade Cândido Mendes. No terceiro período da faculdade já atuava como estagiária no Juizado Especial, atendendo gratuitamente pessoas em situação de vulnerabilidade — foi ali que nasceu meu amor pelo Direito do Consumidor.
Fui também conciliadora, o que me ensinou muito sobre diálogo e negociação. Tenho pós-graduação em Processo Civil, em Gestão de Escritórios e em Petróleo e Gás, o que ampliou minha visão sobre o funcionamento de grandes empresas.
Além da formação jurídica, estudei terapias sistêmicas e aspectos humanos, como a psique feminina e práticas de meditação, para compreender melhor o ser humano por trás de cada processo. Isso me ajuda a oferecer um atendimento mais sensível e completo.
Você acredita que sua experiência pessoal como paciente oncológica influencia sua atuação profissional?
Sem dúvida. Venho de uma família de médicos e sempre valorizei a saúde, mas viver o câncer na pele transformou minha visão.
Durante o tratamento, senti na prática a falta de acolhimento e de informação — médicos que não explicavam efeitos colaterais, tratamentos que me deixavam emocionalmente abalada sem que eu soubesse o porquê. Isso me despertou para a importância da escuta, do respeito e da transparência.
Essa vivência me tornou ainda mais empática e determinada a lutar para que outros pacientes não passem pelo mesmo.
Quais são as dúvidas mais comuns dos seus clientes?
A maioria quer saber quanto tempo o plano ou o SUS podem demorar para autorizar um tratamento ou medicamento.
Também perguntam se o SUS é obrigado a fornecer determinados procedimentos, como fertilização in vitro ou parto humanizado, e até onde vão as obrigações do plano de saúde.
Essas dúvidas são muito comuns porque a linha entre o que é direito e o que é obrigação do Estado ou do plano nem sempre é clara — e meu papel é justamente esclarecer e orientar com precisão.
Há alguma mudança ou tendência importante no Direito da Saúde que você destacaria?
A principal questão hoje é a velocidade da inovação médica em contraste com a lentidão da burocracia.
Muitos tratamentos e medicamentos já têm eficácia comprovada no exterior, mas ainda aguardam registro na Anvisa ou inclusão nos rol da ANS e do SUS.
O Judiciário tem reconhecido que, quando há comprovação científica e urgência comprovada, o paciente pode ter acesso a esses tratamentos mesmo antes da atualização das listas oficiais. Isso é um avanço importante — e um campo onde o Direito da Saúde seguirá evoluindo.

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